
A maternidade é frequentemente pintada pela nossa cultura com cores suaves e promessas de plenitude absoluta. No entanto, longe dos filtros das redes sociais e da publicidade, a realidade do puerpério e da gestação se desenha entre a privação de sono, os choros inconsoláveis e uma profunda reestruturação da identidade feminina.
Se você se pegou olhando para o teto na madrugada, sentindo uma angústia profunda ou uma irritabilidade que parece não caber em si, saiba: você não está sozinha, e isso não é falta de amor pelo seu filho.
É muito comum que mulheres em sofrimento ouçam de pessoas próximas que “é apenas cansaço” ou que “logo passa“. Contudo, a psicologia perinatal e as neurociências nos alertam para um limite sutil, mas crucial, que entre o processo de adaptação natural da nova rotina e o esgotamento das capacidades psíquicas que exigem intervenção profissional.
O cérebro materno necessita de cuidado
Do ponto de vista neurobiológico, a transição para a maternidade envolve uma intensa plasticidade cerebral e flutuações hormonais drásticas. Quando a privação de sono crônica se soma ao isolamento social, o eixo do estresse (HPA) pode entrar em desregulação. Isso significa que reações como o medo paralisante ou a reatividade aumentada não são “fraqueza de caráter”, mas sim respostas de um sistema nervoso sobrecarregado.
Na perspectiva winnicottiana, compreendemos que o bebê não existe sozinho; ele depende integralmente do ambiente que o cerca – você e o seu parceiro. Para que a mãe consiga exercer o que Donald Winnicott chamou de preocupação materna primária (essa sensibilidade aguçada para entender as necessidades do recém-nascido), ela mesma precisa ser sustentada por um ambiente seguro.
A mãe só consegue ser o “holding” (a sustentação) do bebê se ela também tiver onde se apoiar.
Reconhecer que esse limite foi ultrapassado e que as suas ferramentas internas se esgotaram não faz de você uma mãe menos capaz. Pelo contrário: é o primeiro e mais importante passo de cuidado com você e com o desenvolvimento emocional do seu filho.
Quando o cansaço pode se tornar sofrimento emocional?
Para te ajudar a diferenciar o esgotamento físico esperado nesse momento de um quadro que pede atenção especializada, eu listei abaixo 5 sinais de alerta que merecem o seu olhar atento:
- Tristeza persistente ou vazio: uma sensação de apatia que não melhora mesmo nos raros momentos em que o bebê está dormindo ou sob os cuidados de outra pessoa.
- Irritabilidade crônica e explosões de raiva: uma sensação constante de estar “no limite”, onde pequenos imprevistos geram reações de forte angústia ou agressividade direcionada aos familiares ou ao parceiro.
- Ansiedade e hipervigilância paralisante: medo excessivo de que algo terrível aconteça com o bebê, impedindo a mãe de dormir mesmo quando há a oportunidade, ou checar a respiração da criança de forma obsessiva.
- Sentimento avassalador de culpa e inadequação: Pensamentos intrusivos recorrentes de que você “não nasceu para ser mãe” ou de que o seu bebê estaria melhor com outra pessoa.
- Dificuldade de conexão ou distanciamento emocional: Sentir-se desconectada do bebê, executando os cuidados básicos de forma mecânica (no “piloto automático”), acompanhada de um desejo profundo de fugir daquela realidade.
Se você se identificou com um ou mais desses sinais, lembre-se de que a psicoterapia perinatal não é um luxo, mas um espaço de cuidado clínico, necessário para restabelecer a sua segurança emocional. O sofrimento materno não precisa ser vivido na solidão da madrugada. O meu trabalho é te ajudar a compreender as suas emoções e sentimentos para a construção da sua nova identidade, confiança, segurança em si, fortalecimento emocional.
Ao longo dos atendimentos, eu avalio a necessidade de trazer o seu parceiro para o seu processo terapêutico, pois eu entendo que precisamos cuidar do seu entorno, para que o seja familiar. Todo esse processo é combinado e dentro dos princípios éticos. Afinal, meu trabalho é cuidar de quem cuida.
Se você sente que o limite do cansaço foi ultrapassado, entre em contato através do meu WhatsApp 11 9 7299 6474 e agende a sua sessão de acolhimento inicial e assim iniciar seu processo terapêutico -um espaço de acolhimento seguro para a sua jornada. Vamos juntas nesse cuidado?
Psicóloga Fabiana Silva CRP06/133045 || Especialista Perinatal e Parental || Especializada em Saúde Mental e Desenvolvimento Emocional PUCPR – Formada desde 2008, atendendo há mais de 12 anos.