
Muitas vezes, a ansiedade é descrita como uma preocupação excessiva com o amanhã ou um simples desequilíbrio que precisa ser corrigido com urgência. No entanto, quem convive com o estado de alerta constante sabe que a sensação é muito mais profunda e visceral.
Não é apenas o medo do que virá; é a sensação perturbadora de que, se você parar de se segurar, de controlar cada detalhe ou de antecipar cada problema, o chão sob seus pés simplesmente deixará de existir.
O Cansaço de ser o seu Próprio Chão
Na minha trajetória de mais de 16 anos acompanhando adultos em seus processos de amadurecimento emocional desenvolvido através da psicoterapia, percebo que essa ansiedade não é um erro de fabricação, mas um grito de sobrevivência. É o que sentimos quando, em algum momento da nossa história, faltou a sensação de sermos sustentados.
Quando não experimentamos uma base sólida que nos dê a certeza (menciono o termo “certeza” com cuidado, já que não temos como garantir) de que o mundo é um lugar minimamente confiável, nossa mente assume uma tarefa exaustiva: a de ser o seu próprio chão.
Você passa a acreditar que a sua segurança depende exclusivamente da sua vigilância. É por isso que relaxar parece perigoso e confiar parece um risco insuportável.
O Medo de um Colapso que já aconteceu
Existe um paradoxo na ansiedade profunda: o desastre que você tanto teme e tenta evitar no futuro é, na verdade, algo que o seu inconsciente já conhece. Esse “sentimento de catástrofe”, costuma ser o eco de momentos em que já nos sentimos desamparados, sozinhos ou invadidos por situações que não tínhamos estrutura para lidar na época.
Como aquela dor não pôde ser compreendida e acolhida quando aconteceu, ela permanece “viva“, como um fantasma que nos avisa que o perigo é iminente. Assim, a ansiedade se torna uma tentativa desesperada de antecipar um colapso que, na verdade, é uma ferida antiga pedindo para ser curada. Você gasta toda a sua energia vital tentando evitar que o “teto caia”, sem perceber que o cansaço de segurá-lo é o que mais lhe adoece hoje.
Do Controle Absoluto à Segurança de Estar Vivo
O acompanhamento psicológico, sob este olhar, não é sobre ensinar técnicas para “acalmar o pensamento” de forma superficial. É sobre oferecer a você o que faltou: um ambiente de real confiabilidade.
No processo terapêutico, o consultório se torna esse espaço de sustentação onde você pode, aos poucos, experimentar soltar o peso. É um lugar onde a angústia não é apenas sentida, mas é nomeada, compreendida e, finalmente, contida.
Há uma esperança profunda nesse caminho: quando você descobre que existe um suporte, entre o psicólogo e paciente, capaz de aguentar o que você sente, a necessidade de autovigilância começa a diminuir.
Você descobre que não precisa mais ser o vigia de si mesmo o tempo todo. A “cura” acontece quando você percebe que pode habitar a própria vida com entrega, descobrindo que é possível estar vivo, presente e seguro, mesmo sem ter o controle absoluto sobre tudo.
Fabiana da Silva – Psicóloga Clínica | CRP06/133045
Graduada em 2008 – Mais de 16 anos de experiência clínica | Especializada em Saúde Mental e Desenvolvimento Emocional – PUCPR
Dê o primeiro passo para o seu bem-estar: Se você se identifica com esse estado de alerta constante e sente que precisa de um solo firme para processar suas angústias, entre em contato para agendar uma sessão de acolhimento. Vamos, juntos, iniciar o seu processo terapêutico.